Mea Culpa
Saudade da época em que a única forma de se expor ao mundo era ligar de um telefone fixo para outro. É claro que estávamos conversando com máquinas, como hoje e como agora. Mas não seria um pouco mais humano do que essa noia de se comunicar através de código HTML?
Vaidade ou covardia? Nenhuma das duas. É apenas a arte do desencontro, filho.

Não estávamos conversando com máquinas, assim como não conversávamos com lápis ou canetas quando não havia telefones e as pessoas se comunicavam à distância por meio de cartas de papel.
É tudo uma questão de saber como utilizar a web. Ela pode ampliar ou reduzir a sociabilidade presencial. Ela pode ampliar ou reduzir o acesso às formas variadas de cultura e saber.
Abelardo e Heloísa se amavam por meio de cartas antes por uma contingência histórica do que por adoração à forma carta.
Mas algo é certo. O registro expresso de diversas esferas da comunicação humana a partir de agora resultará na emergência de uma documentação permanentemente legada do “zeitgeist” de cada tempo da sociedade. E estamos apenas no começo dessa e-História.
Como notou há algumas décadas Timothy Leary, “nossos conceitos favoritos estão parados no caminho da maré enchente que há dois milhões de anos se vem avolumando. O açude verbal está em colapso. Corram às colinas ou então preparem sua habilidade intelectual para fluir com a corrente”.
Um psicólogo de índole duvidosa disse certa vez na Cultura:
“Hoje em dia as redes sociais, Msn, email e o escambau são como os bailinhos de antigamente.”
Acho certo. Você inicia um relacionamento, termina outro e taca fogo em quem você não gosta a partir desses espaços de sociabilidade e expressão. Quem nunca viu tudo isso? Vi(vi) os três. Pode rir. Mas faz sentido pra cada vez mais gente.
Abraço, irmão.